Seminário sobre registo de variedades de sementes da SADC

Terminou na quarta-feira, 4 de Dezembro no Zimbabwe, o seminário sobre registo de variedades de sementes nativas.

O seminário tinha como objectivo discutir sobre as sementes nativas e as razões da sua marginalização, apesar de ser a maior fonte de produção nos países da região, tendo por isso se juntado no seminário, vários membros dos Governos e da sociedade civil, para juntos encontrarem soluções para a conservação da semente nativa.

ADECRU fez-se presente através da Oficial de Advocacia e Políticas, Belmira Mondlane, que partilhou as experiências da organização no trabalho com variedades de sementes nativas, através do projecto de “Fortalecimento da Soberania Alimentar e Territorial das Comunidades Rurais por Alternativas face a expansão das monoculturas florestais e de agronegócio” financiado pela INKOTA.

Durante o encontro houve intervenções e partilha de experiências por parte dos países da região e das diversas organizações da sociedade civil que trabalham com sementes nativas. A primeira foi da representante da Centro Africano de Biodiversidade, Mariam Mayet, que fez uma introdução sobre a semente na região e abordou sobre os objectivos do seminário. A seguir foi a vez do representante do Seed Services Intitute of Zimbabwe, Claid Majaju, que fez a definição de semente para enquadrar os participantes.

Depois do representante do Seed Services Intitute of Zimbabwe, tomaram a palavra os pequenos agricultores do Zimbabwe através de Juliet Hove, da zimbabwean smallholder organic farmers forum, uma organização criada por agricultores, sobretudo mulheres que defendem a agro-ecologia e criação de políticas para a valorização das sementes nativas.

Além da ADECRU, Moçambique fez-se representar pela Direcção de Agricultura e Silvicultura do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar e a União Nacional de Camponeses.

Com base nas intervenções e nos debates que ocorreram no seminário, constatou-se que Moçambique está atrasado no que concerne ao reconhecimento e valorização da semente nativa. Igualmente, foi abordada sobre a facilidade com que o nosso país aceita sementes híbridas e geneticamente modificadas, de forma clandestina.

Para fortificar o sistema de sementes nativas no país, pensou-se em adoptar o projecto implementado pelo Zimbabwe de apoio aos pequenos agricultores para que a semente nativa não desapareça. Sugeriu-se para tal, a implementação de um programa de criação de banco de sementes nativas sob a gestão dos próprios camponeses para que em caso de calamidades, as comunidades não esperem por doações para voltar a exercer actividades agrícolas e que também possam guardar e reproduzir a semente promovendo a partilha solidária da mesma nas comunidades.

O projecto seria implementado pelas próprias comunidades com o apoio técnico de extensionistas em técnicas de conservação da semente e aproveitamento das práticas nativas.