ADECRU participa no seminário de cooperação dos povos do Brasil e de Moçambique

Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU) participou de 20 a 30 de Novembro corrente, no II Seminário “a cooperação dos povos do Brasil e de Moçambique”, no estado de Maranhão.

Para além de sessões de debates e troca de experiências entre os presentes, os participantes tiveram a oportunidade de visitar comunidades na cidade de São Luís e outra em Monte Alegre, para conhecer a luta das organizações de mulheres quebradoras de coco babaçu.

Para além dessas experiências, os participantes visitaram e ouviram sobre a luta do Cajueiro, uma comunidade que está a resistir contra as obras de construção de um porto nas suas terras. Durante a visita, a equipa foi escoltada por seguranças da empresa que pretende construir a infraestrutura e pela polícia militar.

Representada pelo coordenador nacional Jeremias Vunjanhe, o evento teve como objectivo promover uma troca de experiências entre comunidades, organizações e movimentos sociais de Brasil e Moçambique. Além da ADECRU, de Moçambique participou também a União Provincial de Camponeses de Nampula.

No seminário, ADECRU partilhou as suas experiências de luta pelo desenvolvimento das comunidades rurais e defesa dos seus direitos, tomando como exemplo a sua experiência enquanto membro da campanha “Não ao ProSavana”.

“Não ao ProSavana” foi uma campanha levada a cabo, por mais de 20 organizações da sociedade civil entre as quais ADECRU, e movimentos sociais, camponesas, ambientais, religiosas, famílias e comunidades do Corredor de Desenvolvimento de Nacala em Maio de 2013, que assinaram e submeteram junto dos Presidentes de Moçambique, do Brasil e do Primeiro-Ministro do Japão uma Carta Aberta para Deter e Reflectir de Forma Urgente o Programa ProSavana.

O ProSavana é um programa de cooperação triangular entre os três Governos que permite ao Brasil e ao Japão à aquisição de mais de 14.5 milhões de hectares de terra junto das autoridades moçambicanas para serem concessionadas a grandes empresas brasileiras e japonesas do agronegócio (monoculturas de soja, milho, girassol, algodão) no norte do país, ao longo do Corredor de Desenvolvimento de Nacala, com forte incidência em 19 distritos das províncias de Nampula, Niassa e Zambézia.

Depois do seminário, ADECRU reuniu-se com o Comité Internacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o representante da Justiça Global que tem cooperado com a organização e por último, um encontro com o fotojornalista Rafael Stefile, que cobriu os impactos do ciclone Idai que afectou Moçambique em Março deste ano, causando a morte de 600 pessoas, 15 mil desaparecidos e 2 milhões de afectados nas províncias de Sofala, Manica, Inhambane, Tete e Zambézia.