Brigada 4 de Outubro encerra primeira fase de trabalhos

Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU),

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST) e o Socialist Party da Zâmbia encerraram com sucesso a primeira fase dos trabalhos da Brigada Internacionalista 4 de Outubro, que tinha como objectivo prestar solidariedade às vitimas do Ciclone Idai e das cheias na província de Sofala.

Depois do ciclone, ADECRU lançou um alerta através de um plano de emergência e de resposta à crise humanitária nas províncias de Sofala e Manica, para minimizar o sofrimento das comunidades afectadas. O objectivo do plano era o de levar ajuda em alimentação, saúde e recuperação agrícola.

INKOTA, uma organização alemã que trabalha para o desenvolvimento das comunidades rurais, respondeu de imediato doando 358.299,50 meticais que permitiram a aquisição de comida e diversos produtos de primeira necessidade. A Each One Teach One, um projecto de empoderamento de africanos na Alemanha, também respondeu ao alerta e doou 251 402,72 meticais.

Do Brasil chegaram militantes do MST e membros do Fórum dos Médicos e Médicas Populares (enfermeiras, médicas generalistas, psicólogos e dentistas). Da Zâmbia chegaram dois engenheiros de construção civil do Socialist Party. O grupo juntou-se a vários membros das comunidades rurais militantes da ADECRU oriundos de Sofala, Manica, Zambézia e Nampula e criou-se a brigada 4 de Outubro, composta por 44 pessoas.

A brigada actuou nas frentes de Saúde, Produção, Construção e está baseada na localidade de Hamamba, onde prestou assistência médica e medicamentosa, produção agrícola e construção, nas comunidades de Chissequera Chikwacha Hehua, Muconja, Maswike, Mutarara e Djoroni. No total foram 5 toneladas de produtos diversos distribuídos para 180 famílias das comunidades de Chissequera, Hehua e Mutarara, na localidade de Hamamba, posto administrativo de Goonda, distrito de Chibabava, em Sofala.

Durante 120 dias de trabalho árduo com famílias camponesas em zonas severamente afectadas pelo Ciclone Idai, a brigada 4 de Outubro implantou 500m² de hortas agroecológicas; uma escola de 90 m² composta por duas salas de aulas e uma sala dos professores; mais de 1800 consultas com médicos, psicólogos, dentistas e levou a cabo 40 oficinas de saúde e de produção de insumos agroecológicos e de maneio animal.

Os membros brasileiros e zambianos da brigada terminaram actividades a 5 de Agosto, mas a brigada 4 de Outubro, através da ADECRU, continua no terreno a prestar apoio às comunidades. Na hora do adeus, entre fortes abraços e emoções, o sentimento era de missão cumprida. “Gostaria de reconhecer a importância dos companheiros da ADECRU e agradecer pela troca de experiência”, disse Fábio Pimentel, coordenador da equipa do MST.

“Agradecer pelo trabalho compartilhado, pelo convite, por consolidar essa parceria e por manter na gente a esperança de que é possível construir, com outros parceiros, outro mundo mais justo que agente sonha”, acrescentou.